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Na manhã deste sábado (14), uma celebração religiosa reuniu familiares, amigos e apoiadores na Igreja Nossa Senhora do Parto, no centro do Rio de Janeiro, para marcar os oito anos do brutal assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes.
Esta missa assume um significado especial, sendo a primeira a ocorrer na data do crime após a recente condenação dos mandantes. Em 25 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu, por unanimidade, a sentença contra o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão; seu irmão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar, Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, que atuava como assessor de Domingos. Todos os mencionados já se encontravam sob prisão preventiva.
Antonio Francisco da Silva Neto, pai de Marielle, expressou a profunda dor que este dia ainda representa, algo que sua família jamais previu vivenciar. Ele estendeu seus agradecimentos a todos que ofereceram apoio e solidariedade à família ao longo da busca por justiça, culminando na condenação dos responsáveis.
Ele reiterou: "Tivemos uma grande vitória que foi a condenação dos mandantes. Eles não esperavam que isso ia acontecer com eles um dia. Tivemos esse êxito".
Marinete da Silva, mãe de Marielle, também manifestou sua gratidão a todos que compartilharam a dor e a saudade causadas pela perda da parlamentar.
Conforme suas palavras: "Ela floresce e deixou um legado ímpar. A gente segue a lutar por mais justiça por Marielle e por todas as mulheres que foram vitimadas país afora".
Anielle Franco, irmã de Marielle e atual ministra da Igualdade Racial, revelou ter servido de modelo para a concepção da estátua em homenagem à vereadora assassinada, erigida no Buraco do Lume, na região central da cidade.
Ela desabafou: "Nunca na minha vida imaginei que eu serviria de modelo para o corpo de minha irmã para uma homenagem como essa. Nenhuma família deveria passar por isso".
Ainda neste sábado, está prevista a inauguração da exposição "Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco" no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), situado na Rua Primeiro de Março, número 66, no Centro do Rio.
A mobilização prosseguirá no domingo (15) com a quinta edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson, a ser realizado no Circo Voador. Este evento político-cultural visa congregar artistas, movimentos sociais e defensores da causa por justiça.
Anistia Internacional promove ações em memória
A Anistia Internacional também organizou uma série de atividades neste sábado e domingo para marcar os oito anos dos homicídios de Marielle Franco e Anderson Gomes. No Largo da Lapa, centro do Rio, a organização promove ações que articulam memória, mobilização e engajamento coletivo. A intervenção será dividida em duas etapas: a primeira, intitulada "Cartas para Quem Defende Direitos", busca evocar a força das mensagens que impulsionaram a busca global por justiça.
A segunda parte, "Cada Peça Importa", convida o público à reflexão sobre a situação de outros defensores e defensoras de direitos humanos que ainda aguardam por justiça.
Para a Anistia, essas iniciativas reforçam a ideia de que a concretização da justiça para Marielle e Anderson foi alcançada pela mobilização de milhares de indivíduos. A organização enfatiza a necessidade de manter essa força coletiva ativa, visto que inúmeros defensores de direitos humanos em todo o país ainda clamam por proteção, reconhecimento e respostas.