Na manhã deste domingo (1º), a capital paulista foi palco da inauguração de um grandioso mural de mais de 140 metros, dedicado à memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos, brutalmente assassinada em um caso de feminicídio em novembro do ano passado. Criada por grafiteiras e artistas visuais, a obra serve como um potente símbolo de resistência e deu início à agenda oficial do governo federal em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.

O local escolhido para a instalação do mural, na Marginal Tietê, no Parque Novo Mundo, zona norte de São Paulo, não é aleatório: ali, em 29 de novembro do ano anterior, Tainara foi covardemente atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, de 26 anos. As consequências da agressão foram devastadoras; ela foi hospitalizada com lesões gravíssimas, resultando na amputação de ambas as pernas e, tragicamente, seu falecimento em 24 de dezembro, devido às complicações dos ferimentos.

A cerimônia reuniu uma diversidade de participantes, incluindo representantes de movimentos sociais e sindicais, moradores da comunidade do Parque Novo Mundo e diversos parlamentares. A presença governamental foi marcante, com a participação das ministras Márcia Souza (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Sonia Guajajara (Povos Indígenas), e do ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar).

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A ministra das Mulheres, Márcia Souza, ressaltou o simbolismo da obra, afirmando que “a gente vai olhar para aquele muro pintado pelas grafiteiras e vai dizer: esse é o muro da restauração, da reparação, é o muro da transformação das nossas vidas, é o muro que vai ficar marcado neste território o que aconteceu como uma lição. Vamos ter a coragem de perguntar para cada menino, para cada menina, para cada jovem, para cada homem, o que está acontecendo?”

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, enfatizou a alarmante estatística de mulheres assassinadas diariamente no Brasil, reforçando a urgência no combate ao feminicídio. “O que nós estamos fazendo aqui é um ato em defesa da vida, um ato em defesa da dignidade de todas as mulheres. A gente tem o assassinato de quatro mulheres por dia. São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”, declarou a ministra.

Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara, emocionou os presentes ao prestar uma comovente homenagem à filha, expressando a imensa dor da perda. “Ela era uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim de um jeito que vocês mesmos viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo, um animal. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Gente, isso [o agressor] não é um ser humano”, desabafou, descrevendo a barbárie sofrida por Tainara.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil