No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma significativa marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres se uniram para protestar veementemente contra o feminicídio e as múltiplas formas de violência de gênero. Além disso, as manifestantes exigiram um maior investimento orçamentário em políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade.

A bordo de um carro de som, diversas porta-vozes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações apresentadas abrangeram uma série de áreas, incluindo a criminalização de grupos que incitam o ódio contra as mulheres, o aumento dos períodos de licença-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito específicas para mulheres empreendedoras e o desenvolvimento de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra pauta recorrente foi o fim da jornada de trabalho em escala 6x1.

O clamor pelo fim da violência

Contudo, o ponto central e mais enfático do protesto foi a erradicação da violência de gênero. Muitas participantes trouxeram à memória casos recentes e chocantes, como a trágica morte de Tainara Souza Santos, atropelada por seu ex-companheiro, e o estupro coletivo de uma adolescente, ocorrido na mesma praia de Copacabana onde o ato acontecia.

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Acompanhando o som ambiente, as participantes entoaram uma paródia da canção “Eu quero é botar meu bloco na rua”, de Sérgio Sampaio, com os versos: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”.

À frente da marcha, um grupo de artistas pernaltas carregava uma faixa com a inspiradora frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas realizaram uma performance simbólica, deitando-se no chão com os olhos fechados para homenagear as mulheres vítimas de crimes de violência de gênero. Em seguida, levantaram-se e se posicionaram em círculo, bradando em uníssono as palavras de ordem: “Todas vivas!”.

União entre gerações

O protesto foi um verdadeiro encontro de diferentes gerações de mulheres. Rachel Brabbins, por exemplo, participou da marcha ao lado de sua filha Amara, de apenas sete anos. A pequena carregava um cartaz com os dizeres: “Lute como uma menina”. Rachel destacou a importância de Amara “aprender que tem direitos, tem voz e pode falar”, e de “ver a nossa luta, e que estamos todas juntas”.

Inspirações não faltaram para a jovem Amara. Dentre elas, Silvia de Mendonça, que milita em coletivos feministas desde a década de 80 e fez questão de comparecer à marcha vestindo uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em março de 2018.

Silvia ressaltou que Marielle foi “vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”.

As organizadoras do ato também estenderam um convite aos homens para que se juntassem à luta pelo fim das violências. Thiago da Fonseca Martins atendeu ao chamado e participou do protesto junto com seu filho Miguel, de 9 anos. Ele concordou que os homens devem contribuir de forma ativa, inclusive na criação e educação dos filhos.

Thiago afirmou que, além de “não promover violência contra a mulher”, os homens devem “promover a igualdade sempre que a gente puder”. Ele reconheceu que “vivemos numa sociedade machista, e temos que entender que tivemos uma criação machista, então precisamos sempre ficar atentos, discutir e demover essas ideias”.

Para Rita de Cássia Silva, outra participante presente em Copacabana, a educação contra a violência de gênero é igualmente essencial: “Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal”, disse.

Ela concluiu que, embora seja “ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta”, é fundamental “uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil