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O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), afirmou nesta segunda-feira (30.03), em entrevista à imprensa, que a destituição de Mauro Carvalho da presidência do PRD no Estado teve motivação política e pode ter como objetivo enfraquecer o grupo aliado que vinha sendo estruturado para as eleições de 2026. A declaração ocorre em meio à crise interna da sigla, às vésperas do encerramento da janela partidária.
Indagado se a mudança teria como objetivo enfraquecer seu grupo político, Mendes respondeu de forma direta e sem rodeios. “Claro que é, né, gente? Claro que é. Você tem dúvida?”, afirmou.
Ao comentar a possibilidade de articulação envolvendo o senador Wellington Fagundes (PL), apontado como pré-candidato ao Governo do Estado, o governador evitou fazer acusação direta, mas reforçou o tom de desconfiança sobre o episódio. “Você acha que cai do céu uma destituição de um partido de chapa montada A cara do Papai Noel... só não suspeito do Papai Noel, porque ele não faria isso, mas o resto dos políticos da oposição”, disse.
Apesar das declarações, Mendes afirmou que não pretende acusar ninguém sem ter certeza dos fatos. Ainda assim, fez críticas contundentes ao que classificou como práticas antigas da política brasileira. “Mas no Brasil sempre existe alguém pronto para vender um partido e alguém pronto para comprar partido. Essa é a velha forma de fazer política daqueles que não respeitam uma nova forma que o cidadão está exigindo dos políticos brasileiros. Comprar e vender partido mostra o DNA da pior espécie de políticos que possa existir”, declarou.
O governador também classificou como inadequada a decisão da direção nacional do PRD de destituir o diretório estadual a poucos dias do fim da janela partidária. Segundo ele, o grupo já estava com a chapa estadual estruturada e finalizava a composição da chapa federal. “Faltando quatro dias para fechar a janela partidária, vir destituir uma comissão que estava com a chapa montada para a estadual, terminando de montar a chapa federal”, criticou.
Sobre a justificativa apresentada pelo presidente nacional da legenda, Ovasco Resende, de que a destituição ocorreu por falta de montagem de chapa federal, Mendes voltou a contestar e manteve o tom crítico. “Claro que não. Cadê? Quem vai montar uma chapa federal para ele faltando três dias, quatro dias? Ele, lá de São Paulo, vai conseguir montar? Ah, vai contar história para boi dormir”, afirmou.
Questionado sobre o destino do PRD após a intervenção, o governador disse que ainda não há definição e evitou antecipar cenários, embora tenha admitido que existem suspeitas nos bastidores. “Eu não sei ainda, eu não posso falar. Suspeita eu tenho, igual você tem, igual todo mundo tem. Mas eu, enquanto governador, tenho que ter uma postura e não ficar falando pelos cotovelos, igual eu vejo muita gente fazendo por aí”, disse.
Ao comentar sobre os impactos da crise partidária e a possibilidade de fortalecimento do União Brasil com a chegada de novos nomes, Mendes afirmou que ainda não conseguiu avaliar todas as consequências do movimento. “Eu não sei ainda as consequências dessa movimentação. Eu não consegui participar e ouvi-los. Tenho uma agenda de governo intensa”, declarou.
Mesmo diante do cenário de incerteza, o governador sinalizou que o grupo político deve encontrar alternativas para se reorganizar. “Seguramente nós teremos solução. Só não tem solução para morte, mas tem alternativa”, afirmou.
Mendes também reforçou a ideia de unidade entre os aliados, indicando que não haverá rompimentos. “Ninguém solta a mão de ninguém. Pode ter certeza de que nós vamos encontrar alternativa. Eu, particularmente, sempre trabalho com plano A, B e C”, disse.
Sobre o prazo para definição envolvendo os aliados que pretendiam ingressar no PRD, o governador informou que há uma data limite estabelecida. “Tem um prazo: meia-noite do dia 4”, afirmou, em referência ao encerramento da janela partidária em (04.04).
A crise no PRD ocorre em um momento estratégico do calendário eleitoral e pode impactar diretamente a formação de chapas e alianças em Mato Grosso, ampliando a disputa política no Estado para as eleições de 2026.