Fernando Busian, jornalista que atua na equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), revelou estar recebendo ameaças desde a última quarta-feira, dia 25.

O registro do ocorrido foi feito na segunda-feira, 30 de outubro, na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo. Busian suspeita que os ataques possuam um viés de violência política, descrevendo-os como um "discurso bem de extrema-direita" em declaração à Agência Brasil.

Conforme relatado por Busian, a série de ataques teve início após ele enviar um comunicado à imprensa a respeito da mudança na liderança da Federação PSOL-Rede. O material foi distribuído para uma lista de 1,7 mil contatos em diversas regiões do Brasil.

Leia Também:

No mesmo dia do envio do comunicado, o jornalista começou a receber mensagens com referências a cemitérios e serviços funerários. Além disso, um perfil falso foi criado em seu nome na plataforma GetNinjas, que conecta prestadores de serviços a clientes. A partir desse cadastro fraudulento, Busian recebeu propostas para mais serviços funerários e também de companhias de segurança.

"Eu bloqueei o primeiro [orçamento falso], depois o segundo. No entanto, o terceiro já apresentava um portfólio de serviços de segurança. Foi nesse momento que percebi a conexão: cemitério e segurança, isso me fez ligar os pontos", narra o jornalista.

A equipe de reportagem entrou em contato com a GetNinjas para obter um posicionamento e aguarda resposta. Qualquer manifestação da empresa será incorporada à notícia.

Endereço e familiares

A gravidade da situação escalou na quinta-feira, dia 26, quando Busian recebeu mensagens anônimas via WhatsApp que faziam menção à sua área de residência e ao nome de sua mãe.

"Ela sabe que o filho dela é um lixo?", questionava uma das mensagens, conforme revelado pelo comunicador. Ele reforça a crença de que as intimidações possuem um caráter político, dado seu envolvimento profissional com o Psol.

"Para esclarecer, eu não sou filiado a partido algum. Fui contratado justamente por ter experiência com outros políticos e diferentes vertentes ideológicas, além de possuir bom trânsito na imprensa. Tenho uma reputação sólida e credibilidade. Não me considero um militante", declarou.

Violência contra jornalistas

Em um comunicado conjunto, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) qualificaram o episódio como extremamente sério. Eles destacam que o incidente abrange ameaças de morte direcionadas tanto ao jornalista quanto a seus familiares, além de ações de vigilância e a divulgação indevida de informações pessoais.

"Este é um episódio de extrema gravidade, que não deve ser normalizado. O SJSP e a Fenaj expressam total solidariedade e apoio ao jornalista, comprometendo-se a exigir das autoridades uma investigação rigorosa, particularmente no que tange a crimes cibernéticos e o uso inadequado de dados pessoais, visando a identificação e punição dos responsáveis."

No seu mais recente relatório sobre a violência direcionada a jornalistas, a Fenaj registrou 144 ataques contra esses profissionais em 2024. Este número indica uma redução em comparação aos anos anteriores.

Durante o período da pandemia de covid-19 e a gestão de Jair Bolsonaro, a quantidade de ataques atingiu um pico histórico de 430 ocorrências em 2021, diminuindo para 181 em 2023.

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Bond - repórter da Agência Brasil