Quase 200 itens de eletrônicos e informática, que tiveram o Imposto de Importação majorado em fevereiro, terão essa alíquota zerada por um período de quatro meses. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (26) pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

O objetivo da medida é diminuir os custos para a indústria e assegurar o suprimento de componentes sem produção nacional equivalente.

Na mesma reunião, a Camex isentou a alíquota de 970 produtos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que 779 desses itens já haviam sido beneficiados por concessões anteriores, cuja renovação foi considerada uma decisão de rotina pela pasta.

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Os 191 produtos restantes representam uma reversão das tarifas elevadas neste ano para mais de 1,2 mil itens eletrônicos, incluindo smartphones, equipamentos de informática e componentes. Em fevereiro, o governo já havia zerado a cobrança para 105 desses produtos.

Critério técnico

Conforme o Mdic, a redução foi concedida após apelos de companhias que argumentaram a inexistência de produção nacional ou oferta limitada no mercado interno. Essas solicitações são avaliadas pelo governo, com um prazo de até quatro meses para uma definição final.

O período para novas submissões de pedidos permanece aberto até 30 de março, possibilitando novas análises na lista de produtos beneficiados.

Outros setores

A Camex também zerou a tarifa de importação para diversos outros produtos em setores considerados estratégicos. Entre eles, destacam-se medicamentos para o tratamento de condições como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia.

Também foram incluídos insumos para a agricultura, como fungicidas e inseticidas, além de materiais para a indústria têxtil, nutrição clínica e até lúpulo, utilizado na fabricação de cervejas.

Impacto econômico

Segundo o governo, a iniciativa visa reduzir os custos de fabricação, frear pressões inflacionárias e prevenir dificuldades de abastecimento, especialmente em setores que dependem de insumos importados.

Simultaneamente, a ação reajusta decisões prévias de aumento tarifário, que foram implementadas com o intuito de fomentar a produção nacional, mas que geraram pedidos de revisão por parte do setor produtivo.

Antidumping

A Camex também determinou a aplicação de uma tarifa antidumping definitiva, válida por cinco anos, para etanolaminas (um composto usado em cosméticos como tinturas e alisadores de cabelo) originárias da China, e para resinas de polietileno (um tipo de plástico) produzidas nos Estados Unidos e no Canadá.

Regulamentada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), a imposição de sobretaxas antidumping ocorre quando um país constata que produtos estão sendo importados com preços inferiores ao custo de produção, o que prejudica a indústria local.

No caso do polietileno, a Camex, apesar de confirmar a aplicação definitiva do direito antidumping, decidiu manter a sobretaxa nos patamares provisórios que estiveram em vigor nos últimos seis meses.

De acordo com o Mdic, a redução tarifária não afeta as etapas subsequentes da cadeia produtiva, atendendo ao interesse público, visto que o produto é amplamente utilizado na fabricação de embalagens, brinquedos e outros artigos industriais.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil