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A equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de informações extraídas de seu celular, incluindo conversas de natureza íntima e supostos diálogos com autoridades, inclusive com o ministro Alexandre de Moraes.
Em comunicado oficial, a defesa alega que as conversas estão sendo distribuídas a diversos veículos de comunicação, possivelmente de forma editada e fora de contexto. Os advogados ressaltam que nem mesmo eles tiveram acesso ao material que tem sido veiculado pela mídia.
“[Solicitamos] a instauração de inquérito para determinar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a lista de todos os indivíduos que tiveram acesso ao conteúdo dos dispositivos apreendidos”, declarou a representação legal do empresário.
Segundo a defesa, o objetivo não é investigar os jornalistas que receberam as informações, mas sim apurar a responsabilidade daqueles que tinham a obrigação legal de manter a custódia do material, que permanece sob sigilo judicial.
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Autoridades envolvidas
Entre os diálogos divulgados pela imprensa, destacam-se trocas de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Capturas de tela dessas supostas conversas foram publicadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (6).
Em resposta ao jornal, Moraes negou ter recebido as mensagens em questão. “O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, afirmou em nota oficial.
Em conversas que teriam ocorrido com sua ex-namorada, Martha Graeff, Vorcaro também menciona um suposto contato próximo com parlamentares, políticos e membros do Judiciário, com quem teria discutido assuntos relacionados ao Banco Master, incluindo negociações para a venda da instituição para o Banco Regional de Brasília (BRB).
De acordo com a defesa de Vorcaro, a cópia dos dados dos aparelhos do banqueiro foi entregue aos advogados em 3 de março. “O HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de um tabelião, a fim de preservar o sigilo das informações.”
“Espera-se que as autoridades que falharam em seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem pessoas sem vínculo com a investigação, além de prejudicar os trabalhos de esclarecimento dos fatos”, concluiu a defesa.
Relembre o caso
Daniel Vorcaro foi detido novamente na manhã de quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
No ano anterior, o empresário já havia sido alvo de um mandado de prisão no âmbito da mesma operação, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão foi justificada por mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na fase inicial da operação. Nessas mensagens, Vorcaro supostamente ameaçava jornalistas e indivíduos que teriam contrariado seus interesses.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, que teriam resultado em um prejuízo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) destinado ao ressarcimento de investidores.