A Câmara dos Deputados deu sinal verde para uma proposta legislativa que estabelece o mapeamento de informações acerca das consequências das mudanças no clima para a população feminina. O intuito da medida é fornecer subsídios para a elaboração de estratégias e objetivos governamentais, seguindo agora para análise do Senado Federal.

O Projeto de Lei 3640/25, idealizado pela parlamentar Célia Xakriabá (Psol-MG), obteve aprovação nesta quarta-feira (11) por meio do parecer favorável da relatora, a deputada Iza Arruda (MDB-PE).

Conforme o dispositivo, relatórios constantes com os achados devem ser incorporados às comunicações oficiais do Poder Executivo, podendo também fundamentar as metas estabelecidas no Plano Plurianual (PPA).

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A cada biênio, deverão ser conduzidas análises sobre a eficácia desse monitoramento e a sistematização das informações coletadas.

De acordo com Iza Arruda, a sistematização desses indicadores é fundamental para entender as vulnerabilidades específicas dos grupos afetados. "A iniciativa é assertiva ao exigir que o estudo considere critérios como etnia, idade, bioma, estrato social e perfil econômico", pontuou a relatora.

A deputada destacou que a proposta torna explícitos fatores cruciais para mensurar prejuízos, como a carga de trabalho de cuidado, o acesso a recursos hídricos e a soberania alimentar das mulheres. Segundo ela, isso permite verificar se o investimento público atinge as áreas de maior risco, onde o público feminino sofre de maneira desproporcional.

Por sua vez, a autora da matéria, Célia Xakriabá, alertou para as projeções severas ligadas a catástrofes ambientais. Baseando-se em pesquisas, ela mencionou que mulheres que chefiam lares podem perder quase metade de sua renda e enfrentar um aumento significativo na jornada de trabalho devido às alterações climáticas.

Impactos da crise climática

O projeto determina que, para aprofundar o conhecimento sobre a realidade das brasileiras, o levantamento deve abranger pontos como:

  • Quantidade de mulheres em áreas de risco associadas a desastres;
  • Mensuração de danos e perdas causados por fenômenos extremos;
  • Acesso a saneamento básico e água potável em domicílios liderados por mulheres;
  • Níveis de insegurança alimentar e hídrica por região ou bioma;
  • Presença feminina em instâncias de decisão sobre o meio ambiente;
  • Recebimento de auxílios em situações de emergência climática;
  • Acesso a resgates, abrigos e itens de sobrevivência;
  • Participação em financiamentos voltados à adaptação e gestão de riscos;
  • Inclusão de perspectiva de gênero em planos locais de mitigação climática.

Diretrizes da política climática

A proposta altera a Política Nacional sobre Mudança do Clima para incluir o combate a qualquer tipo de discriminação e o fomento a espaços democráticos que ampliem a voz das mulheres nas decisões políticas.

Indicadores específicos

O texto aprovado detalha ainda indicadores que devem ser monitorados para avaliar as consequências climáticas sobre a saúde e o bem-estar feminino, destacando-se:

  • Qualidade da assistência à saúde integral da mulher;
  • Taxas de mortalidade materna conforme a localidade e acesso a serviços;
  • Riscos laborais ligados ao trabalho doméstico e de cuidado;
  • Prevalência de enfermidades transmitidas por água ou ar após eventos extremos.

Durante a sessão, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) manifestou oposição, questionando o vínculo entre o clima e a violência contra a mulher, classificando a correlação como inexistente e sem fundamento lógico.

Veja detalhes sobre como os projetos tramitam no Congresso Nacional

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias