Quatro em cada dez mulheres brasileiras já optaram por viajar desacompanhadas, um dado que indica uma crescente confiança feminina em explorar o mundo por conta própria.

Essas informações são provenientes de um estudo conduzido pelo Ministério do Turismo em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que entrevistou 2.712 mulheres.

Contudo, a pesquisa revela que, apesar do aumento do interesse, as viajantes solo ainda se deparam com obstáculos estruturais significativos que afetam sua mobilidade, a forma como interagem com os destinos e sua exposição a novas experiências longe de casa.

Leia Também:

De acordo com o levantamento "Mulheres que Viajam Sozinhas", finalizado em agosto de 2025, 62% das participantes declararam ter desistido de uma viagem solo devido a preocupações com a segurança. Além disso, 61% relataram já ter vivenciado situações que as fizeram sentir inseguras durante uma jornada desacompanhada.

A preocupação com a segurança, que é uma realidade limitadora, intensifica-se entre mulheres negras e indígenas. Segundo os pesquisadores, esses grupos enfrentam "camadas adicionais de vulnerabilidade" em suas experiências de viagem.

Entre as entrevistadas que se identificam como pretas, pardas ou indígenas, a porcentagem das que já deixaram de viajar por questões de segurança sobe para 65,35%.

Ao serem questionadas sobre o que as faria se sentirem mais seguras e à vontade para viajar sozinhas pelo Brasil, quase um terço (29,3%) das mulheres apontou a necessidade de maior policiamento e a instalação de câmeras de segurança.

Em seguida, 21% das participantes exigiram melhorias na infraestrutura de transportes e hospedagens. Outras 17% manifestaram o desejo por mais informações específicas para viajantes solo femininas, e 16% afirmaram que se sentiriam mais confortáveis com a presença de mais funcionárias no setor de turismo, o que, para os responsáveis pelo estudo, "evidencia como a representatividade feminina transmite acolhimento e empatia".

Entre as mulheres que já viajaram sozinhas, 31,4% afirmaram que o fazem com frequência, a cada poucos meses, indicando que a experiência é percebida como gratificante e empoderadora, mesmo diante das incertezas e dos potenciais riscos.

A faixa etária predominante das viajantes solo é entre 35 e 44 anos (quase 35%), seguida por 22% entre 45 e 54 anos. Esses dados sugerem que, em fases da vida frequentemente marcadas por maior estabilidade financeira e autonomia pessoal, essas mulheres encontram mais liberdade para explorar o mundo sozinhas. Adicionalmente, 68% delas não possuem filhos.

No que diz respeito às motivações, 73% das entrevistadas buscam momentos de lazer. O desejo de exercer sua independência e liberdade impulsiona 65% delas, enquanto o anseio por autoconhecimento motiva 41%. Por fim, 38% viajam sozinhas para cumprir compromissos profissionais.

Entre aquelas que nunca viajaram sozinhas, 59% expressaram o desejo de realizar uma viagem solo nos próximos dois anos.

Motivações específicas para viagens

O interesse por atividades culturais, como visitas a museus e centros históricos, atraiu 68% das mulheres participantes da pesquisa. O ecoturismo conquistou a preferência de 64%, seguido por experiências de bem-estar (44,9%), compromissos de trabalho (38,5%), participação em eventos e festivais (36,6%) e interesse pela gastronomia (30,1%).

Uma parcela considerável (36%) das entrevistadas viaja sozinha apenas dentro do Brasil, com as regiões Sudeste (73%) e Nordeste (66%) sendo as mais procuradas, seguidas pelo Sul (50%), Centro-Oeste (37%) e Norte (30%).

Os resultados completos deste estudo estão detalhados no Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado pelo Ministério do Turismo nesta quinta-feira (5) e acessível online. Além de fornecer dados valiosos para gestores públicos, operadores turísticos e empresas do setor, a publicação oferece recomendações para fomentar um turismo mais seguro, inclusivo, acolhedor e responsável.

“Este guia reconhece o direito da mulher de circular com liberdade e viajar pelo Brasil e pelo mundo, sem que o medo seja o principal companheiro de viagem”, declarou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante a cerimônia de lançamento da publicação em Brasília.

Segundo o Ministério do Turismo, a iniciativa do guia faz parte da agenda de turismo responsável e está em consonância tanto com o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio quanto com a pauta internacional de igualdade de gênero.

Anteriormente, a pasta já havia disponibilizado o Guia com Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres, com foco no aprimoramento do atendimento no setor de serviços.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil