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Com o apoio da Prefeitura de Rosário Oeste, a preservação do ecossistema de Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (9) com o início da 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá. Liderada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), a comitiva da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) partiu com a missão crítica de fiscalizar, coletar dados e ouvir as populações que dependem diretamente do principal curso d'água da região metropolitana. O movimento, que une política, ciência e saber tradicional, busca diagnosticar as feridas ambientais que ameaçam não apenas a fauna local, mas todo o equilíbrio do sistema hídrico da Bacia do Prata.
O ponto de partida foi estratégico: a região próxima à barragem da Usina Hidrelétrica de Manso, com saída no Rancho do Mano, em Chapada dos Guimarães. Já nas primeiras horas, o tom da expedição foi ditado por análises técnicas preocupantes. Pesquisadores e especialistas apresentaram dados preliminares sobre a alteração na dinâmica do rio, apontando mudanças drásticas no fluxo das águas e na sedimentação ao longo das últimas décadas. Segundo Wilson Santos, a responsabilidade sobre o Rio Cuiabá, que nasce em Rosário Oeste, transcende fronteiras estaduais, uma vez que suas águas alimentam o Rio Paraguai e impactam diretamente a Bacia do Prata, alcançando outros países da América do Sul.
Em Rosário Oeste, um dos pontos cruciais do trajeto, a recepção da comitiva reforçou o caráter colaborativo da iniciativa. O Prefeito Mariano Balabam participou de uma reunião decisiva na Câmara Municipal, onde discutiu os andamentos da expedição no trecho que corta o município. O encontro contou com a presença do Vereador Paulo Augusto, da Secretária de Meio Ambiente Ariane Ferreira, e de Jonas, representante da Colônia de Pescadores local. A mobilização em Rosário Oeste exemplifica o objetivo de Wilson Santos: unir a força política municipal ao conhecimento técnico para construir soluções que garantam a sobrevivência das comunidades ribeirinhas.
Um dos temas centrais que dominam os debates técnicos é a retenção de sedimentos causada pela hidrelétrica de Manso. O engenheiro hidráulico e professor da UFMT, Rafael Petrollo de Paes, alertou que a redução da areia transportada pela correnteza compromete a formação do leito do rio e pode desequilibrar o regime de inundação da planície pantaneira. Sem esses sedimentos, o Pantanal perde seu suporte natural, gerando processos erosivos que afetam a biodiversidade e a navegabilidade.
A crise ambiental reflete-se diretamente na mesa do mato-grossense e na economia da pesca. Relatos de pescadores e pesquisadores indicam que obstáculos no curso do rio e alterações no volume de água têm dificultado a subida de espécies nobres como o pintado, pacu, dourado e piraputanga. Durante o período migratório, a dificuldade em vencer essas barreiras tem elevado a mortalidade dos peixes, colocando em risco a reprodução das espécies e o sustento de milhares de famílias.
A 3ª Expedição Fluvial conta com um suporte interinstitucional robusto, incluindo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a Marinha do Brasil, o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental e a Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo). Nos próximos dias, o grupo seguirá em direção ao Pantanal, na divisa com Mato Grosso do Sul, realizando inspeções e reuniões comunitárias. Todo o material coletado servirá de base para um relatório técnico detalhado que será encaminhado aos órgãos competentes, servindo como ferramenta de pressão para políticas públicas de revitalização do Rio Cuiabá.











